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Correria desnecessária e cansativa para jogadores



Parecia tudo fácil para a Selecção Nacional de Moçambiq1ue. O técnico Gert Engels ficou convencido de que a vitória frente à Tanzânia era um dado adquirido. Mas esqueceu-se de que só com golos se pode vencer, isto porque ficou à espera do prejuízo para mexer a equipa, quando o devia ter feito atempadamente.

Não se pode tirar o mérito ao Jerry, pelo golo que ditou a vantagem para os “Mambas”, quando decorriam nove minutos. Mas o avançado moçambicano foi bastante perdulário, desperdiçando oportunidades certas, que teriam colocado Moçambique a vencer com uma margem confortável. Houve um pouco de excesso de confiança do técnico alemão que, mesmo com os factos a “falarem” por si, manteve-se no silêncio, esperançado de que tudo correria bem até ao fim. Reclamaram-se tantas perdidas e, insistentemente, o público foi clamando pela intervenção do técnico e com razão, pois o perigo estava iminente.

Aliás, não houve razões para tantos alaridos na primeira parte. Embora jogando de forma atabalhoada, a Selecção Nacional teve a sorte de marcar cedo e isso pesou no comportamento do adversário que, mesmo perante indícios de fragilidades denunciadas pela turma de casa, ficou indiferente, desperdiçando algumas falhas incríveis da defensiva.

Contudo, foi da defesa que saiu o lance do golo moçambicano, naquelas subidas em flecha de Zainadine Júnior, para o centro bem colocado para a entrada vitoriosa de Jerry que, com o pé direito, desviou a visar. Nessa altura, os “Mambas” procuravam ainda assentar o seu jogo, enquanto os tanzanianos estudavam as formas de como reagir às iniciativas do adversário. Claro que cabia aos “Mambas” tomar a iniciativa de jogo e valeu a vontade expressa pelo conjunto de resolver o problema ainda cedo. Porém, os “Mambas” não tinham energia suficiente, numa tarde em que Dominguez precisava de colaboradores mais atentos para dar resposta aos seus arranques. Ensaiou alguns passes rasgados à entrada da grande área, mal correspondidos por Jerry.

O jovem artilheiro Telinho acabou sendo a “pedra” mais brilhante no ataque dos “Mambas”. Batalhador incansável, Telinho, apenas não teve a devida sorte. Encostado à esquerda do ataque, reagiu prontamente às solicitações, mas não teve a devida sorte. Numa outra jogada iniciada por Dominguez, o jovem atacante teve a infelicidade de atirar sobre o corpo do adversário, em reposta à solicitação de Hélder Pelembe, aos 14 minutos.

Os tanzanianos reagiam consoante as circunstâncias, mas sem maior vigor, apesar de alguma insegurança manifestada pela defensiva moçambicana na fase inicial da partida. Por três vezes os tanzanianos falharam o alvo, perante ofertas de bandeja.

Chico foi o primeiro a cometer um erro gravíssimo, num passe denunciado dentro da grande área. Samata mal agradeceu em duas ocasiões consecutivas. Na primeira, o avançado tanzaniano levou tempo para rematar e quando o fez a bola saiu desenquadrada com a baliza. De seguida, Whisky perde igualmente o controlo do esférico dentro da área, mas Samata volta a falhar o alvo.

Na terceira investida, iniciada por Shomari, Thomas não encontrou o esférico em cheio no ressalto, depois do alívio de Mexer. O “central” moçambicano acabou por assumir maior responsabilidade nas manobras defensivas, dada a experiência e frieza que sempre o caracterizaram. Mas faltou alguma compensação, daí que os tanzanianos ganharam alguns ressaltos na primeira parte, que levaram algum perigo à baliza de Kampango. Os “Mambas” continuaram na mó de cima, mas também a pecarem na finalização.

Por duas vezes, Telinho atirou sobre o guarda-redes tanzaniano, já no fim da primeira parte. Foi por instinto que Juma Kaeja defendeu os dois tiros consecutivos a poucos metros da baliza, abrindo espaço para uma segunda parte bem quente.

E num lance que Jerry lograria fazer um golo espectacular, eis que o tiro de primeira, a interceptar o centro geométrico de Paíto, levou o esférico a embater o travessão com muita força.

Gert Engels convenceu-se demasiadamente de que a eliminatória estava ganha. Esperava-se por uma outra postura dos “Mambas” no regresso dos balneários. A manter o onze inicial, Gert Engels deixou a indicação de que a actuação dos “Mambas”melhoraria. E até certo ponto a equipa portou-se bem, senão os falhanços que nunca acabavam. Jerry continuou a pecar para o pior. Mesmo assim, Gert Engels ficou indiferente.

Enquanto isso, Hélder Pelembe e Telinho, seus companheiros do ataque, iam incansavelmente dando o máximo de si. Em luta com um oponente, Hélder Pelembe meteu cabeça colocando Jerry em posição de remate, mas não fez o que devia e foi desarmado, aos 54. Dois minutos depois é novamente assistido por Zainadine Júnior e remata defeituoso. Telinho ainda tentou desviar o esférico para a baliza, mas em vão. Houve tanta insistência, com alguns ensaios fora da área. Whisky viu o seu tiro quase a roçar o poste. À semelhança de Zainadine Júnior, o lateral esquerdo Paíto subiu quando pudesse, ensaiando alguns despejos para área. Num deles, Jerry desviou alto na boca da baliza.

Jerry irritou completamente o público noutro lance em que Dominguez colocou-o em vantagem sobre os defesas. Mesmo assim, não conseguiu evitar o “keeper” tanzaniano, atirando para o corpo deste.

Quando já era muito tarde, eis que Gert Engels substitui-o por Clésio, para o aplauso do público. E logo mostrou serviço, ao desviar o centro de Dominguez quase a visar, aos 87 minutos.

E porque os erros se pagam carro, a Tanzania chegou ao empate, com Agerry a desviar com êxito o pontapé de canto, já no primeiro minuto dos quatro de compensação.

Daqui foi-se à marcação de grandes penalidades, que se prolongaram até à “morte súbita”.

Marcaram para os moçambicanos Miro, Whisky, Paíto, Clésio, Zainadine Júnior, Telinho e Dominguez, fixando o resultado em 8-7. Dominguez foi quem decidiu, para o fim do sofrimento que havia tomado por completo os moçambicanos.

Aliás, mérito para Kampango, que defendeu dois penaltes. Um na primeira série e o outro durante a fase de “morte súbita”.

FICHA TÉCNICA

COMISSÁRIO: Joel Amadhila

ÁRBITRO: quarteto sul-africano, constituído por Daniel Bennett (principal), auxiliado por Enock Molefe e Thusi Zekhele Siwele. O quarto árbitro foi Victor Tinyiko Hlungwano.

MOÇAMBIQUE – Kampango; Zainadine Júnior, Mexer, Chico e Paíto; Dominguez, Whisky, Miro e Telinho; Hélder Pelembe (Carlitos) e Jerry (Clésio)

TANZANIA – Juma Kaseja; Shomari; Agerry, Kevin e Brasto (Jonh Bocco); Kazimoto (Amir), Frank, Shabani e Ngassa; Samata e Thomas

DISCIPLINA: Cartolinas amarelas para Zainadine Júnior e Frank

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